O método de Philip Fisher para comprar ações

Autor do guia “Common Stocks and Uncommon Profits” (“Ações Comuns, Lucros Extraordinários”) publicado em 1958, Philip Arthur Fisher (08/09/1907 – 11/03/2004) foi um dos mais influentes investidores de ações de todos os tempos. Warren Buffett, por exemplo, aponta Fisher e Benjamin Graham como os mais importantes para a sua filosofia de investimento atual.

Em seu guia Fisher difundiu sua metodologia, chamada “Scuttle Buttin”, de comprar ações de empresas que fossem destaque em seu setor, que tivesse boa administração e perspectivas excelentes e sustentáveis de crescimento no longo prazo. O processo de detecção das ações era feito através de leituras, questionamentos a pessoas ligadas à companhia e visitas à companhia (inclusive filiais). Basicamente Fisher queria saber se a companhia atendia a 15 pontos relativos à qualidade de gestão e às características do negócio dela.

1) Possui produtos e serviços que tenham potencial de se manter no mercado em bom crescimento pelo máximo de anos possível (até onde seja possível “enxergar”)?

2) Possui uma administração que saiba inovar nos produtos ou processos da empresa, de modo a conseguir que as vendas aumentem mesmo no caso de um “esgotamento” do potencial dos produtos atuais da empresa?

3) A companhia é esforçada em pesquisa e desenvolvimento? Esse esforço está compatível com o tamanho da mesma?

4) Possui uma estrutura de vendas e marketing acima da média?

5) Possui uma boa margem de lucro? (esse era o ponto que mais interessava Fisher)

6) O que a empresa está fazendo para manter ou melhorar a margem de lucro?

7) Possui uma excelente política de relacionamento pessoal e trabalhista?

8) Possui uma excelente política de executivos? Vale lembrar que os executivos são responsáveis diretos no rumo da companhia e um bom clima entre eles é essencial.

9) É uma companhia que vai a fundo em sua administração?

10) Possui uma boa análise de custos e controle de gastos? (essencial para que a companhia consiga maximizar sua eficiência)

11) Existem outros aspectos críticos no ramo que a empresa está inserida, que forneçam pistas importantes sobre a superioridade dela em relação a seus concorrentes?

12) Possui um horizonte estratégico mais longo? (isso geralmente favorece a sustentação dos resultados no longo prazo)

13) A empresa vai possuir a capacidade financeira de desenvolver o seu negócio com recursos de dentro da própria empresa (sem emissão de mais ações)?

14) A companhia é aberta com seus investidores, independente se o momento é favorável ou desfavorável a ela? É importante que ela não se cale em tempos de dificuldade.

15) A companhia possui uma administração de integridade inquestionável?

Fisher considerava que vender as ações apenas porque apresentou forte valorização no curto prazo era um erro. A venda só deveria ocorrer se: o investidor percebesse que errou na avaliação da empresa; a empresa passasse a não atender mais os 15 pontos comentados anteriormente; ou houvesse outra companhia muito mais atrativa para investir.

Observando o método de Fisher, fica claro que é praticamente impossível um investidor comum ter “acesso às respostas” de todas as 15 perguntas na hora de comprar uma ação. Mas, conseguindo a resposta para algumas delas já será um bom começo para o investidor conseguir encontrar as boas ações.
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